
Penso que os partidos políticos, independentemente da cor ou do nome ou mesmo da sua colocação relativa esquerda/centro/direita não se conseguem livrar da fama (e proveito) de servir de trampolim aos "trepadores" que têm pululado na política nacional e municipal. E onde há fumo há fogo. Por mais que nos tentem convencer do contrário. E tanto maior é essa minha convicção quanto mais esses mesmos partidos (ou movimentos) se apregoam como tentando preencher lacunas a que nenhum dos outros deu importância; ou seja, verdadeiro poder de decisão por parte das pessoas enquanto isto mesmo e não pelo degrau da escada hierárquica para onde os pretendem remeter, reunião à volta de assuntos urgentes e discussão aberta em vez do célebre "braço no ar" porque é da minha cor ou porque o emblema da lapela é igual ao meu.
E porque já fui militante de partidos políticos (que à partida seriam impolutos em relação ao acima exposto mas que à chegada eram tudo menos isso mesmo), é que ainda acredito que as pessoas podem e têm obrigação de fazer aquilo para que Manuel Alegre alertou: mandar para as urtigas a hierarquia e a "disciplina" partidária, votar em consciência com a própria consciência, marimbar-se nos estatutos do partido e assumir as paixões, acreditar (enfim) na democracia. Em duas palavras: ser cidadãos.
E exactamente por assim pensar é que também acho que os tais "trepadores" começam (fatal como o destino) a lançar ganchos sobre os caminhos que a candidatura de Manuel Alegre abriu (ou melhor: poderia ter aberto) sobre a maneira de pensar os "corpos gerentes" aqui do rectângulo à beira-mar plantado. Não me tendo chegado às mãos os estatutos do Movimento de Intervenção Cívica, parece-me pelo que li nos jornais que vai haver desde generais a praças, passando por "imposição de medalhas" (é a minha maneira de apelidar os membros de honra). A posição alcançada nas presidenciais poderia ter servido para relançar a consciência cívica e o debate aberto e assumido sobre todo e qualquer ponto de interesse colectivo. Mas parece que não, a água já está inquinada. Assim, e porque só não muda quem nada aprende, Alegre deveria sair do autocarro enquanto é tempo e apanhar outra carreira; é que esta já tem muita malta tentando viajar à borla.
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Talvez não devesse ter escrito este "post", mas a verdade é que já por mais de uma vez fui convidado para pertencer a listas autárquicas (de diversos quadrantes políticos), tendo de dizer que não em virtude de pensar exactamente pelas razões que me levaram a simpatizar com a atitude de Manuel Alegre. Será necessário dizer que os convites se reportavam aos degraus cá de baixo, que ajudam os "trepadores" a guindar-se ao pau da bandeira?


