quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Quem quiser que comente. Estou no meu direito de me estar nas tintas...

Não sei nem quero saber porquê, mas hoje estou-me nas tintas para "postar" seja o que fôr.
Está para ali a selecção nacional a jogar com selecção do Cazaquistão, e nem quero saber quem está a ganhar ou a perder.
Nem me vou dar ao trabalho de ler sobre se o Tribunal Constitucional (com letra graaande...) aprovou ou em que modos terá aprovado a pergunta do referendo sobre o aborto. Nem tampouco quero saber se as barrigudinhas vão parir a Badajoz, a Tarragona, no hospital de Beja, ou se o fazem em casa.
Nem quero saber se os putos tiveram aulas ou não, a despeito das greves; e dos fura-greves que assim afirmam a sua "dedicação à causa".
Quanto a saber se a Câmara Municipal de Beja é que impôs a manutenção do combóio Beja-Lisboa e vice-versa estou-me neste momento nas tintas.
Como me estou nas tintas, hoje, para saber se a chegada da estação das chuvas faz os velhotes escorregarem naquele nojo que é o novo pavimento "polisiano" da Praça da República.
Não quero pensar se os chineses estão a comprar as lojas de Beja ou se os lojistas bejenses é que lhes vão bater à porta pela calada da noite para as venderem.
Da mesma maneira também não vou querer saber se os "cidadãos de etnia" fazem casamentos frente à piscina coberta ou divórcios frente ao raio que parta quem a tal os autorizou.
Porra, com os impostos que pago não tenho o direito de me sentir português durante a próxima meia-dúzia de horas?

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

"Dessa água não beberei !!!" ... e morreu desidratado

Passei agora mesmo ali pelo meu amigo nikonman que, pelo menos pelo que lhe conheço de há muitos anos, não podia deixar passar em claro o que está acontecer na cidade de Beja (e não só), onde o comércio anda pelas ruas da amargura. Com uma elegância e clareza enormes "limita-se" a colocar três fotos referentes ao mesmo assunto num "post" que mexeu comigo e com muito mais gente.
Claro que a situação para que alerta, mesmo não tendo eu qualquer pataca directamente envolvida no assunto, também não me agrada mas pergunto-me se as causas apontadas por muita gente serão as mesmas que grande parte dessa gente (comerciantes incluidos) aponta para o problema que já parece uma bola de neve. E como não tenho os profundos conhecimentos de micro/macro/merdo/economia de muita gente que conheço, passo a referir o assunto, limitando-me a apontar casos reais de conversas com alguns amigos meus.
Acto I - O Senhor é o meu pastor, nada me faltará (Salmos, 23)
Aqui há uns anos, estava para abrir o primeiro hipermercado da nossa terra quando tive este diálogo com o detentor de um supermercado cá do burgo.
- ... mas tu tás maluco? Não vês que as pessoas nos conhecem e acreditam em nós e sabem o que é qualidade? Esses gajos vêm para cá mas abrem falência. Dou-lhes seis meses e fecham a porta! Não te esqueças que eles não vendem fiado e a nossa gente sabe quem a trata bem!
(devo referir que, embora as palavras não fossem textualmente estas, as expressões "nos conhecem" e "nossa gente" são bem reais e foram utilizadas no sentido indicado).
Por acaso já encontrei este meu amigo (amigo, sim senhor, que nestas coisas de amizades não sou nenhum cretino) por mais de uma vez com o carrinho do modelo cheiiiiiiiinho de garrafinhas de água de 33 centilitros da mesma marca que vende no seu estabelecimento. Uma vez que não patrocina eventos desportivos, culturais ou de outra natureza, deve ter a canalização rota e é pra tomar banho; só pode ser.
Acto II - Cesse tudo o que a Musa antiga canta / Que outro valor mais alto se alevanta (Os Lusíadas, I, 3)
Um outro amigo, comerciante de longa data e bem implantado no ramo, jurava-me a pés juntos que nunca trespassaria o negócio. Estava ali porque gostava e, ao contrário de muitos dos seus colegas, a coisa ía de vento em popa. Essa mania de vender ou alugar a "tabanca" a "esses gajos dos bancos ou seja lá a quem fôr" não era para ele; muito menos aos chineses porque:
- É como te digo, esses chinocas sabem lá vender. Eu não ponho lá as patas nem que me paguem.
Pois quanto às patas, não as pôs lá. Mas pagaram-lhe e suspeito que bem: a sua "tabanca", como lhe chamava, é agora uma das "lojas de chineses" que abriram em estabelecimentos que faziam parte da história cá da Pax, e cujo dono era "um patriota" que, mais do que o lucro e segundo as suas próprias palavras, o que queria era " o desenvolvimento da terra".
Acto III - Oh, teimoso e voluntário exílio do peito amantíssimo. (...) Alcançara a vitória sobre si próprio. Amava o Grande Irmão. ("1984" , George Orwell)
Mas quem é o cretino que hoje em dia não tem computador? Nem mesmo o meu amigo Tadeu Aldegundes (nome fictício, mas a personagem é verídica) que acusa os chineses de venderem barato porque trabalham com mão de obra mal paga, sem Previdência ou qualquer tipo de assistência social. Também ele se recusa a comprar nem que seja uma caixa de parafusos aos chinocas, porque não está para pactuar com "cenas antissociais" (expressão sua). Além disso adquiriu ao preço da uva mijona um computador "artilhadíssimo" (expressão também sua) com duas "drives" de DVD, uma de CD, "webcam", microfone e colunas, placa de TV, etc e tal que até fiquei azul quando vi. Só que fica pior que uma barata de cada vez que lhe digo: - Abre a porra do computador e vê lá se não tem uma etiquetazinha "made in Taiwan".

domingo, 5 de novembro de 2006

À laia de manifesto



Uma das coisas da vida a que acho piada, sem ter qualquer tipo de piada, é a facilidade com que tanto eu como qualquer dos meus amigos nos atiramos um "temos de juntar para aí o pessoal um dia destes para beber um copo e saber o que é feito uns dos outros" de cada vez que nos cruzamos - sempre à pressa ; ou seja, todos sabem mais ou menos por onde anda cada um, mas quanto a pararmos um bocadinho para o "tal copo" é que não há tempo. Aconteceu isso mesmo hoje, quando andava pelas compras num dos hipermercados de Beja (se queremos encontrar o pessoal conhecido é do melhor que há).
Encontrei o Zé C., o meu baterista de há uns quinze ou dezasseis anos, no Arte&Factos.
-Eh pá! Vê lá se actualizas o blog - foi o cumprimento à queima-roupa, com o mesmo riso de sempre estampado, exactamente no mesmo tom em que me dizia na sala de ensaios que a "malha" que eu fazia no baixo estava a ir bem com a batida do bombo.
E o que aconteceu é que desde as dez da manhã até agora que me decidi a sentar e escrever (são 10.22 da noite) não me tem saído da cabeça a imagem da sala de ensaios, da facilidade com que naquele grupo nascia uma música, do pessoal todo aos gritos (como em qualquer banda que se preze) para, afinal, dizer a mesma coisa mas que o outro pensava que não era bem assim, e este até tinha uma ideia um bocadinho diferente mas também era a mesma coisa, e etc. e tal.
O Zé Condeça na bateria, Fernando Pardal na viola e voz, Dadinho no cavaquinho, flauta, viola, bandolim, teclas e só não na harpa porque não a tínhamos, o Fernando "Francês"(saudoso Fernando Galhoz) na viola solo, e eu na viola baixo. Também o Tói Santos e o Tói Campos por lá passaram, um pouco mais tarde.
Mas não foi para escrever a história do Arte&Factos que me sentei aqui. É que de cada vez que encontro o Zé não consigo evitar lembrar-me da facilidade e rapidez com que se faziam músicas naquele grupo, que durou uns dois anos, acabando por consenso geral numa grande lancharada num sábado à tarde, depois de um último ensaio de despedida das "lides".
Apenas me sentei aqui para reafirmar que, se a vida se repetisse, insistiria em fazer tudo exactamente da mesma maneira, ter os mesmos amigos, tocar as mesmas músicas, desafinar nas mesmas notas.
Talvez não deixasse era passar tanto tempo sem irmos todos beber o tal copo.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Mundo de Aventuras (revisitado)

Descobri!!!!
Imaginem, depois do "post" anterior fui à procura e vejam só o que descobri : há uma base de dados FANTÁSTICA da BD editada em Portugal. Até deu para ver o nome correcto do Maxwell. Deu para lembrar que o rapaz lutava contra um energúmeno que tinha uma "cafeteira" (pelo menos era o que me parecia na época) toda trabalhada; quando abria a tampa saía de lá um vapor que lhe passava pelas fuças e transformava-o na imagem da sua última vítima. Andei por ali a ver as capas e a relembrar a sensação de abrir as páginas à faca que vinham seladas... e afinal a memória é ima coisa fabulosa: o primeiro número que comprei do Mundo de Aventuras foi mesmo o 914.
E agora, se me dão licença, vou passear por lá, relembrar mais umas coisitas, pode ser que encontre o Major Alvega, entre tantos outros.