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O telejornal da TVI começou às 20.00H. Neste momento são 20.30H e a TVI continua com a notícia de abertura, em directo da Figueira, Portimão: o tio da Joana, a mãe da Joana, se a Joana está viva ou não, se a Joana já era alvo de agressões. A cambada está lá toda, à espera de dar umas palmadas num dos suspeitos, mas em directo, em frente às câmaras de televisão, porque de acordo com o que estou a ver, falam mas de costas e com a voz distorcida. E se o julgamento não fôr de porta fechada, toda a gente lá vai mas apenas para berrar à saída, e em frente às câmaras, porque isto de ser herói e dizer a verdade, só de costas e com a voz distorcida. Não fora a tristeza e o revoltante do caso, apeteceria dizer que "isto é da joana..."
À TVI não interessa se as joanas deste país são bem ou mal tratadas, se vão continuar a levar porrada ou se o padrasto lhes salta para cima, se foram violadas ao cinco anos de idade ou se morreram virgens. O que interessa à TVI, e à cambada, é o folhetim, é uma novela que não paga direitos de autor e onde os personagens apenas querem um pagamento: falar de costas para a câmara e com a voz distorcida.
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Realmente a TVI mete nojo.
sábado, 25 de setembro de 2004
Uma mão estendida, a outra na barriga
Há pouca poesia de que gosto. Alguma dessa está num sítio que há bem pouco tempo descobri, o Pedra a Pedra, e aonde se pode ir a partir das Sombra Frescas aqui ao lado. Não me perguntem por que gosto pouco de poesia. Sei lá. Talvez porque alguns se chamam poetas a si próprios apenas porque insistem em escrever só até meio da linha. No entanto, e sem me querer arvorar em poeta (mais a mais insisto em escrever até ao fim da linha) e porque é tão verdade como estar a escrevê-lo, relato-vos o que se passou comigo ontem, sexta-feira, pelas 4 e meia da tarde.
Já a tinha visto aí pela cidade, uma figura pequena e magra, lenço preto na cabeça, da cor do resto da roupa. Tudo o que não era negro não passava de cinzento escuro. Nunca tinha olhado para ela com olhos de a ver. Sei que já a tinha olhado, limitando-me a consumir a imagem que me era posta à frente. Ontem aconteceu olharmo-nos frente a frente, da mesma maneira que me barrou o caminho num passeio mais ou menos estreito. Parou a dois palmos de mim, a face à altura do meu peito e olhou-me bem nos olhos. O olhar sem brilho, cinzento claro, a única coisa clara naquele ser, estendeu-me a mão direita com a palma virada para cima. A esquerda pousou-lhe no estômago e iniciou um breve semi-círculo que logo parou. Compreendi perfeitamente e joguei a mão à carteira, envergonhado pela minha situação de ter mais do que ela. Rezava a todos os santos para ter uma moeda ali à mão. Por sorte para mim e para ela lá estava um euro. Uma simples moeda de um euro que me apressei a colocar-lhe na palma da mão, revoltado por dezenas de fantasmas que ali passavam, indiferentes à situação; fantasmas a quem apenas interessava ter 0,65 € por dia todos os dias da semana para comprar "A Bola" ou o "Record", ou uma revista que traga os 10 capítulos antecipados da novela, ou se o Zé Maria se suicidou ou está noivo. Apetecia-me escarrar na cara de alguns e algumas que sei vão todos os domingos papar uma missa, pôr uma moedita no prato da colecta e assim recebem duas doses de detergente para a alma, que fica rebrilhante; mas que ali me censuravam mudamente por ser "fraco". Apeteceu-me fugir dali para fora o mais depressa possível, pela vergonha de estar rodeado de coisas que de comum comigo pouco têm, a não ser andarem em duas patas... Apeteceu-me gritar bem alto que o rei se está nas tintas para quem pede. E que cada povo tem o rei que merece (ou quer).
Se for mais forte que a fome que lhe vi e continuo a adivinhar, se mais alguém tiver um pouco de vergonha, como eu tive, talvez tenha oportunidade de lhe dar mais umas moedas...
quinta-feira, 23 de setembro de 2004
Hoje estou noutra
Ná! sentei-me aqui pra escrever qualquer coisa mas hoje não estou com pachorra. Vou mas é dar uma espreitadela aí pelas lamechices...
domingo, 19 de setembro de 2004
Contributos para o Dicionário da Academia
A de alimária - aquele gajo que encontramos todos os sábados na meia-laranja e a quem falamos muito bem, mas que não torce pelo nosso clube e vota sempre nos outros.
B de Boleta - Uma coisa que a cambada de alimárias que por aí anda insiste em chamar bolota. Faz mal aos intestinos dos alfacinhas; mas quando raio é que eles descobrem que têm de ser ingeridas por via oral?
C de carraça - o espontâneo que, quando a gente tá a conseguir chegar a vias de facto com a tipa das trancas boas acabadinha de conhecer na discoteca, insiste que nos conhece e tal e blá blá blá e em contar que esteve com a gente na tropa e mais blá blá blá, e nunca mais desanda dali pra fora.
D de dispositivo intra-uterino - o chamado aparelho. Quando a filha da D. Agnela lhe disse que ía pôr e onde ía pôr o aparelho, a pobre mulher ía desmaiando: "Oh! Filha, mas tem de ser daqueles pequininos com óscultadoris como o que ó tê pai usa pra óvir a bola!".
E de erva - o que não falta por aí.
F de coiso - pois, coiso... aquela coisa que se faz pra fazer meninos.
G de gandálimária - o mesmo gajo da letra A, mas quando falamos dele a um amigo.
H de homem - é que andam por aí uns gajos que são homens com Ó grande.
I de Indubitavelmente - não sei por que razão ainda ninguém pegou nesta. Foi a época da conjuntura práqui, conjuntura práli, depois foram as sinergias práqui, as sinergias práli, mas ainda ninguém pegou no indubitavelmente. Indubitavelmente ele há coooisas...
J de javali - um bichinho simpático e saboroso que, ao que parece, já aqui no Alentejo é caçado de helicóptero e ... , bem, bem, cala-te boca.!
L de lâmpada - rima com tâmpada. Não sabem o que é? então experimentem lá: tâmpada panela!
M de meia-laranja - é ali em frente ó luis da rocha.
N de nas ditas cujas - A resposta que apetece dar a certas intervenções ministeriais. NN , eniene.
O de ó porra! - penso que não é preciso explicar quando se deve usar esta, eheh
P de preseff.. percef...... perze... prevenn... porra, pra que é que mudaram o nome às camisas de vénus?
Q de quêjo - se fizesse mesmo esquecer não havia problema, os ratos nunca sabiam ondé que tava.
R de reaccionário - pronto, tá prometido, não vou dizer mal do Polis (pelo menos até ao fim deste "post").
S de assombra - da azenhêra, pois então.
T de tou-me - tou-me borrifando pra dizer mal do Polis, já tô farto.
U de qualquer coisa começada por u.
V de pianço - pianço, bernhol, birinaite, começa tudo por V, é tudo vinho!
X de xiiiiii! que gaja tão boooaaaa!
Z - a letra por onde começa quase tudo no Alentejo: a zovelhas, a zosgas, o zabutres...
B de Boleta - Uma coisa que a cambada de alimárias que por aí anda insiste em chamar bolota. Faz mal aos intestinos dos alfacinhas; mas quando raio é que eles descobrem que têm de ser ingeridas por via oral?
C de carraça - o espontâneo que, quando a gente tá a conseguir chegar a vias de facto com a tipa das trancas boas acabadinha de conhecer na discoteca, insiste que nos conhece e tal e blá blá blá e em contar que esteve com a gente na tropa e mais blá blá blá, e nunca mais desanda dali pra fora.
D de dispositivo intra-uterino - o chamado aparelho. Quando a filha da D. Agnela lhe disse que ía pôr e onde ía pôr o aparelho, a pobre mulher ía desmaiando: "Oh! Filha, mas tem de ser daqueles pequininos com óscultadoris como o que ó tê pai usa pra óvir a bola!".
E de erva - o que não falta por aí.
F de coiso - pois, coiso... aquela coisa que se faz pra fazer meninos.
G de gandálimária - o mesmo gajo da letra A, mas quando falamos dele a um amigo.
H de homem - é que andam por aí uns gajos que são homens com Ó grande.
I de Indubitavelmente - não sei por que razão ainda ninguém pegou nesta. Foi a época da conjuntura práqui, conjuntura práli, depois foram as sinergias práqui, as sinergias práli, mas ainda ninguém pegou no indubitavelmente. Indubitavelmente ele há coooisas...
J de javali - um bichinho simpático e saboroso que, ao que parece, já aqui no Alentejo é caçado de helicóptero e ... , bem, bem, cala-te boca.!
L de lâmpada - rima com tâmpada. Não sabem o que é? então experimentem lá: tâmpada panela!
M de meia-laranja - é ali em frente ó luis da rocha.
N de nas ditas cujas - A resposta que apetece dar a certas intervenções ministeriais. NN , eniene.
O de ó porra! - penso que não é preciso explicar quando se deve usar esta, eheh
P de preseff.. percef...... perze... prevenn... porra, pra que é que mudaram o nome às camisas de vénus?
Q de quêjo - se fizesse mesmo esquecer não havia problema, os ratos nunca sabiam ondé que tava.
R de reaccionário - pronto, tá prometido, não vou dizer mal do Polis (pelo menos até ao fim deste "post").
S de assombra - da azenhêra, pois então.
T de tou-me - tou-me borrifando pra dizer mal do Polis, já tô farto.
U de qualquer coisa começada por u.
V de pianço - pianço, bernhol, birinaite, começa tudo por V, é tudo vinho!
X de xiiiiii! que gaja tão boooaaaa!
Z - a letra por onde começa quase tudo no Alentejo: a zovelhas, a zosgas, o zabutres...
sábado, 18 de setembro de 2004
Conhecem a D. Miraldina?
Vocês não conhecem a D. Miraldina, pois não? É claro que não conhecem. E sendo assim nem sabem onde ela mora. Nem sabem que nunca casou e que isso não lhe traz qualquer infelicidade, todo o seu amor vai para o Búbú, um rolinho de pêlo branco com um pontinho preto num dos lados a fazer de focinho.
A D. Miraldina é uma mulher e pêras, que quer tudo nos trinques. E ai de quem esteja no outro lado da barricada quando se trata de pugnar pelos seus direitos. É uma lutadora solitária, ela bem tenta estar de bem com o mundo, mas o mundo, tooooodo o mundo, insiste em estar de mal com ela...
Pois a D. Miraldina passou toda a santa tarde dum sábado de sol a mandar vir com três catraios; é que os pirralhos insistiam que aqueles parcos metros quadrados de relva em frente à sua varanda de rés-do-chão metido quase a primeiro andar eram nada mais nada menos que um estádio de futebol. Prometeu que esfaqueava a bola se esta lhes caísse nas mãos, que chamaria a polícia se esta servisse pra mais alguma coisa que não apenas pra passar multas de mau estacionamento à D. Quicas, sua companheira do chá das cinco... Mas os putos, népia. Malcriados como o demo. Fizeram ali mesmo o seu Euro_Dois_Mil_e_Tal . Felizmente também tinham de jantar, os diabretes que nem isso mereciam, pois sabe-se perfeitamente que canalha de palmo e meio só dá é fezes; e lá abalaram.
Coitada da D. Miraldina. Passa a sua santa vida em casa rezando para que o mundo se dê bem consigo, que ela tenta estar de bem com ele. Só sai de casa para levar o Búbú a fazer cócó. E mesmo para isso, nem vai pra muito longe, é mesmo ali na relva ao pé de casa...
Têm mesmo a certeza que não conhecem a D. Miraldina?
quinta-feira, 16 de setembro de 2004
A Tábua, as bolachas e a "Colchoaria de Lisboa"
Cada vez que ali passo, e não são poucas, lembro-me do meu barbeiro, o Galaio. Lembram-se do Galaio? Ali ao pé do Caravela, quase em frente à Zona Azul, um pouco mais acima.
A barbearia do Galaio era isso mesmo, uma barbearia. E o "isso mesmo" implicava um sítio onde se ía para dar dois dedos de conversa, combinar a próxima pescaria, às vezes até se ía lá pra cortar o cabelo, ou fazer a barba. O Galaio já cá não está deve haver uns quinze anos, e quando se foi já não era o meu barbeiro havia quase outro tanto, mas eu ainda passava por lá para "dar de vaia".
À entrada a porta tinha logo um poial onde eu me sentava a ler o "Falcão", ou o "Condor". Às vezes o "Mundo de Aventuras" que saía à quarta-feira e custava 25 tostões. A sala teria uns dois metros e pouco de largura por uns seis ou sete de comprimento; duas cadeiras de barbeiro, cada uma com o seu espelho. Tem piada que todas as cadeiras de barbeiro que tenho visto têm o mesmo monograma na pèzeira. Uma mesinha aparafusada na parede junto a cada espelho e, muito alto para a idade que eu tinha, uma pequena prateleira de vidro com meia dúzia de coisitas. Uma dessas coisitas era o Pescador. Um daqueles bonequitos com uns 10 cm, apoiados em duas perninhas de arame e segurando um outro arame que fazia de cana de pesca, que depois enrolava para debaixo da prateleira, deixando-o em equilíbrio e dançando um vai-e-vem teimoso quando a gente lhe dava um toque.
.
A minha mãe dava-me dez tostões (agora chamar-se-iam meio cêntimo) e mandava-me para a barbearia do sr. Galaio, pouco depois de almoço que era para quando ele abrisse às quatro da tarde eu já ter vez marcada. Enquanto esperava, os meus sete anos ficavam fascinados pelas letras da "Colchoaria de Lisboa" pintadas a azul sobre a parede amarela do que é agora a Zona Azul, e pela almofada pendurada por cima da porta, que eu via a rodar com a brisa. Por mais que olhasse para os muitos automóveis que por ali passavam (um de dez em dez minutos), o meu olhar caía sempre teimosamente nas letras. Ainda hoje não consigo perceber porquê!
Às três da tarde abria a loja por baixo da barbearia, e eu apressava-me a comprar um pacote de bolachas Maria. Ainda têm o mesmo desenho. Enquanto esperava, trincava as bolachas com um ritual que ainda uso às vezes: começava por comer todo o friso à volta, deixando-a mais pequena mas impecavelmente circular; depois tentava que quatro dentadas ficassem distribuidas simetricamente...
Até que chegassem as qutro da tarde.
.
Para a malta do meu tamanho havia "a Tábua". A Tábua era nada mais que uma simples tábua com duas travessas no lado de baixo, para não deslizar nos braços da cadeira. Servia para que a malta de palmo e meio ficasse mais alta (ou menos pequena, se assim quiserem) a fim do Galaio conseguir cortar-nos a trunfa. Sagrado dia em que o Galaio foi buscar a tábua e, ao chegar ao pé da cadeira "Ná! Tu já não precisas da tábua." E eu esticava-me na cadeira, mais emproado que um fuso, porque já me cortavam o cabelo sem precisar de me sentar na tábua.
Corte de homem implicava que o cabelo na nuca ficasse bem curtinho, e nisso o Galaio aprimorava-se.
As patilhas, depois de ensaboadas , sempre com água fria, eram acertadas à navalha. Ainda dava duas ou três tesouradas e vinha a pergunta fundamental: "Queres que faça uma poupinha?" A poupinha, celebrizada duas décadas antes pelo Elvis, voltara a usar-se. "Sim, faça a poupa". E o Galaio, com uma paciência maior que o castelo lá passava um bocadinho de brilhantina no pente e ajeitava uma "poupinha" à maneira.
.
São pedaços da vida que não quero deitar fora. Quanto daria pra ir buscar um pacote de bolachas Maria e sentar-me à porta do Galaio, à espera das quatro da tarde...
A barbearia do Galaio era isso mesmo, uma barbearia. E o "isso mesmo" implicava um sítio onde se ía para dar dois dedos de conversa, combinar a próxima pescaria, às vezes até se ía lá pra cortar o cabelo, ou fazer a barba. O Galaio já cá não está deve haver uns quinze anos, e quando se foi já não era o meu barbeiro havia quase outro tanto, mas eu ainda passava por lá para "dar de vaia".
À entrada a porta tinha logo um poial onde eu me sentava a ler o "Falcão", ou o "Condor". Às vezes o "Mundo de Aventuras" que saía à quarta-feira e custava 25 tostões. A sala teria uns dois metros e pouco de largura por uns seis ou sete de comprimento; duas cadeiras de barbeiro, cada uma com o seu espelho. Tem piada que todas as cadeiras de barbeiro que tenho visto têm o mesmo monograma na pèzeira. Uma mesinha aparafusada na parede junto a cada espelho e, muito alto para a idade que eu tinha, uma pequena prateleira de vidro com meia dúzia de coisitas. Uma dessas coisitas era o Pescador. Um daqueles bonequitos com uns 10 cm, apoiados em duas perninhas de arame e segurando um outro arame que fazia de cana de pesca, que depois enrolava para debaixo da prateleira, deixando-o em equilíbrio e dançando um vai-e-vem teimoso quando a gente lhe dava um toque.
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A minha mãe dava-me dez tostões (agora chamar-se-iam meio cêntimo) e mandava-me para a barbearia do sr. Galaio, pouco depois de almoço que era para quando ele abrisse às quatro da tarde eu já ter vez marcada. Enquanto esperava, os meus sete anos ficavam fascinados pelas letras da "Colchoaria de Lisboa" pintadas a azul sobre a parede amarela do que é agora a Zona Azul, e pela almofada pendurada por cima da porta, que eu via a rodar com a brisa. Por mais que olhasse para os muitos automóveis que por ali passavam (um de dez em dez minutos), o meu olhar caía sempre teimosamente nas letras. Ainda hoje não consigo perceber porquê!
Às três da tarde abria a loja por baixo da barbearia, e eu apressava-me a comprar um pacote de bolachas Maria. Ainda têm o mesmo desenho. Enquanto esperava, trincava as bolachas com um ritual que ainda uso às vezes: começava por comer todo o friso à volta, deixando-a mais pequena mas impecavelmente circular; depois tentava que quatro dentadas ficassem distribuidas simetricamente...
Até que chegassem as qutro da tarde.
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Para a malta do meu tamanho havia "a Tábua". A Tábua era nada mais que uma simples tábua com duas travessas no lado de baixo, para não deslizar nos braços da cadeira. Servia para que a malta de palmo e meio ficasse mais alta (ou menos pequena, se assim quiserem) a fim do Galaio conseguir cortar-nos a trunfa. Sagrado dia em que o Galaio foi buscar a tábua e, ao chegar ao pé da cadeira "Ná! Tu já não precisas da tábua." E eu esticava-me na cadeira, mais emproado que um fuso, porque já me cortavam o cabelo sem precisar de me sentar na tábua.
Corte de homem implicava que o cabelo na nuca ficasse bem curtinho, e nisso o Galaio aprimorava-se.
As patilhas, depois de ensaboadas , sempre com água fria, eram acertadas à navalha. Ainda dava duas ou três tesouradas e vinha a pergunta fundamental: "Queres que faça uma poupinha?" A poupinha, celebrizada duas décadas antes pelo Elvis, voltara a usar-se. "Sim, faça a poupa". E o Galaio, com uma paciência maior que o castelo lá passava um bocadinho de brilhantina no pente e ajeitava uma "poupinha" à maneira.
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São pedaços da vida que não quero deitar fora. Quanto daria pra ir buscar um pacote de bolachas Maria e sentar-me à porta do Galaio, à espera das quatro da tarde...
quarta-feira, 15 de setembro de 2004
Visconde, regressa que estás perdoado.
Não sei por que peço desculpa, mas mesmo assim: Desculpem, mas o Polis arrasou sítos da cidade que mereciam uma solução bem diferente.
Sim, já sei que me vão cair em cima e por aí abaixo, mas não retiro nem uma vírgula, e repito: o Polis arrasou (ARRASOU) sítios da cidade que mereciam e podiam ter tido solução bem diferente. Sei perfeitamente, e digo-o bem alto a toda a gente, que a zona da ermida de Santo André está impecável. O parque da cidade promete, fazia falta. Mas a coberto disso quanta barbaridade. Bar-ba-ri-da-de!!!
Sou alentejano, e como tal intitulo-me, e a todos os meus conterrâneos, de afilhado do sol e irmão da planície (desculpem o bocadinho de poesia...), pelo que me sinto mal quando não vejo um bocadinho de horizonte. Não posso deixar de reconhecer que passo na Miguel Fernandes e olho em volta e nada me tolda a visão. Pudera, uma área completamente aberta onde me chego a sentir perdido, não fosse a marrecada "futurista" ali posta; e quem não gostar é porque está contra o progresso e a renovação de Beja, que essa coisa de descaracterização da avenida é boca de reaccionários a soldo de interesses retrógrados, felizmente perfeitamente identificados. Não me venham dizer que o que ali está é bem feito, o pior cego não é o que não vê, é o que não quer ver. O parque de estacionamento fazia falta? Fazia.,pois então. Mas talvez se anteriormente se tivesse procurado soluções alternativas a coisa não chegasse ao ponto a que chegou. Não duvido que a Câmara quer solucionar o(s) problema(s) de estacionamento, mas talvez a solução passe por algo mais do que o condicionamento (pagamento). Cada vez mais a cidade se expande mas cada vez mais as instituições (bancos, repartições públicas) investem "dentro das muralhas", com o consequente afluxo de viaturas. Não terão os nossos edis uma palavra a dizer-lhes sobre isso?
Sim, já sei que me vão cair em cima e por aí abaixo, mas não retiro nem uma vírgula, e repito: o Polis arrasou (ARRASOU) sítios da cidade que mereciam e podiam ter tido solução bem diferente. Sei perfeitamente, e digo-o bem alto a toda a gente, que a zona da ermida de Santo André está impecável. O parque da cidade promete, fazia falta. Mas a coberto disso quanta barbaridade. Bar-ba-ri-da-de!!!
Sou alentejano, e como tal intitulo-me, e a todos os meus conterrâneos, de afilhado do sol e irmão da planície (desculpem o bocadinho de poesia...), pelo que me sinto mal quando não vejo um bocadinho de horizonte. Não posso deixar de reconhecer que passo na Miguel Fernandes e olho em volta e nada me tolda a visão. Pudera, uma área completamente aberta onde me chego a sentir perdido, não fosse a marrecada "futurista" ali posta; e quem não gostar é porque está contra o progresso e a renovação de Beja, que essa coisa de descaracterização da avenida é boca de reaccionários a soldo de interesses retrógrados, felizmente perfeitamente identificados. Não me venham dizer que o que ali está é bem feito, o pior cego não é o que não vê, é o que não quer ver. O parque de estacionamento fazia falta? Fazia.,pois então. Mas talvez se anteriormente se tivesse procurado soluções alternativas a coisa não chegasse ao ponto a que chegou. Não duvido que a Câmara quer solucionar o(s) problema(s) de estacionamento, mas talvez a solução passe por algo mais do que o condicionamento (pagamento). Cada vez mais a cidade se expande mas cada vez mais as instituições (bancos, repartições públicas) investem "dentro das muralhas", com o consequente afluxo de viaturas. Não terão os nossos edis uma palavra a dizer-lhes sobre isso?
O tão célebre assassinato do jardim de bacalhau é isso mesmo: um assassinato. Vamos deixar as árvores crescer? Vamos! Os velhotes depois continuarão a vir para ali como há décadas! SIM! Mas só posso chegar à conclusão de que quem riscou o projecto no papel não é daqui, nada percebe duma cidade onde o calor passa os quarenta e muitos, ou então o Barnabé também tem um lobby com os gajos das águas carasona, é que até a bica dali tiraram. A Câmara vai pagar subsídio de gasosa aos velhotes?
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Pedra a pedra, tijolo a tijolo, vamos perdendo o que nos resta. É que Beja também já teve uma capela como a de Santa Maria Madalena de Ferreira do Alentejo, é que o Convento da Conceição (actual Museu Regional) cobria uma área muito maior, as portas de Aljustrel, Mértola, Évora e Avis foram mutiladas de forma assassina na segunda metade do séc. XIX., e nem falo do palácio dos Duques de Beja. Tudo em nome do progresso e crescimento urbano. Pela mão do sr. visconde de Ribeira Brava...
Desculpem o desabafo, mas tinha mesmo de fazer a minha catarse. Só que ainda há tanto pra dizer....
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