Há uns dias fiquei admirado ao ouvir os telejornais; e só não "postei" aqui sobre o assunto porque não tenho tido tempo. O caso da caloira da Escola Agrária de Santarém vai para a barra dos tribunais, e digam-me lá se é ou não é caso para admiração. É a história de mais uma caloira do ensino superior vexada, humilhada e ofendida na sua pessoa e na dos seus familiares, há um ano atrás. Coberta com esterco de porco na cara, peito, costas, cabelo.
São sete os "bácoros" indiciados nos autos (desculpem-me os verdadeiros bácoros) que agora estão obrigados a apresentar-se diariamente na esquadra lá do sítio, mas o que é verdade é que, tenho a absoluta certeza, a própria direcção da escola vai tentar minimizar o assunto; pelo menos a crer por um membro dessa mesma direcção que, fazendo com dois dedos o gesto ilustrativo da acção, afirmava na terça-feira da semana passada, dia oito, que "...esterco na cara é normal." O que o sr. dr. não quer saber, ou sabe muito bem e tenta pôr esterco nos olhos dos outros, é que da simples brincadeira entre colegas que, em determinada situação, tenham esse comportamento apenas por paródia logo vingada na primeira oportunidade e pelo mesmo método, e aquilo que se passou na sua escola é de uma diferença abissal, que só não vê quem tiver a cabeça cheia de esterco (não disse "coberta", disse "cheia" porque é POR DENTRO). E o "sô tôr" parece que nisso não falha mesmo nada...
Também não duvido absolutamente nada do desfecho: não vai haver provas, a ex-caloira vexada é que vai ficar mal no filme, porque a cobardia dos praxados, humilhados, ofendidos, é que vai falar quando forem chamados a testemunhar. Vamos asssim ficar a saber, finalmente!, que essa coisa das praxes violentas e vexantes é invenção de meia-dúzia de "caretas" que não têm classe para envergar a farda duma escola, e que nas recepcções ao irmão caloiro bebe-se chá de hortelã com bolinhos da amassadura.