Não fôra a triste conclusão de que o crime compensa, e a coisa não passava duma anedota, desta vez nada publicitada pela imprensa vista/falada que, quase silenciosamente, meteu o rabinho entre as pernas e tenta fazer-se esquecida do necessário pedido de desculpas aos que diariamente vai envenenando ao confundir dever profissional e vontade de informar com histeria e gulosice de sensacionalismo.
Vamos lá por partes:
Parte I da Paródia - Um recluso condenado por triplo homicído sai em liberdade precária e está-se nas tintas pra voltar.
Parte II da Paródia - Como o crime compensa e a malta até alcança projecção social, toca de entrevistas por telemóvel daqui, entrvistas por telemóvel dali; o homem tem uma arma e quatro balas. Os primeiros três que se aproximarem vão desta pra melhor e a quarta bala é pra ele ir atrás, não queiram eles arrepiar caminho. É à hora do almoço, é ao jantar, é ao deitar, e as entrevistas com o ex-recluso-agora-evadido (sempre por telemóvel) prometem ser a nova ração diária de novela pró pagode.
Parte III da Paródia - Afinal a montanha pariu um rato: o ex-recluso-agora-vedeta é entrevistado em frente às câmaras de tv, diz que não tem nem balas nem arma, e muito menos telélé. Pronto, ficámos a saber que se fizeram passar pelo coitado, o que é crime, até à vista da Constituição desta República que está cada vez mais cegueta.
Conclusões (e interrogações):
a) o crime compensa; um gajo leva umas facadas dum tipo qualquer, e este é que vai ficar conhecido, que isto de dar facadas dá "sainete".
b) o crime continua a compensar; os tipos da tv estão-se nas tintas prá verdade, o que interessa é ser o primeiro a passar, seja lá qual fôr a "bojarda". Da próxima vez sou eu que telefono a dizer que sou o não-sei-quantos-das-sapatilhas e que tenho meia dúzia de balas, sendo que a última é pra um tipo qualquer das notícias (eh eh, vamos lá ver se passam as coisas como eu vou querer ou não passam).
c) o crime compensa, continua a compensar, e com estes "jornalistas" compensa ainda mais. Já um gajo que dá umas facaditas por aí não pode estar descansado, aparece um tipo da sic a entrevistar. Se revelar as fontes de informação é contra a ética do repórter, o que será entrevistar um assassino que anda a monte?
sábado, 15 de janeiro de 2005
sexta-feira, 7 de janeiro de 2005
Será imaginação? Ou alucinação?
Tentei imaginar um país, com os exemplos que tenho à minha volta, mas só consegui uma caricatura.
Tentei imaginar um governante sério (e a sério) e vi um tipo fugir pra bem longe, tratando de salvar a sua imagem mais um pacote de notas de 500 €.
Tentei imaginar um sistema democrático e apenas vi que o rato que abandonou o barco quando este já ía bem cheio de água, lá pôs o afilhado, à revelia do que a população quisesse.
Começou a faltar-me a imaginação mas mesmo assim ainda deu para ver um indivíduo de cara descoberta, entrar pelas casas adentro e, com a desculpa de que os cofres do rei estavam rotos, começar a levar o que quem trabalha amealhara para a velhice.
Mesmo assim ainda fiz um esforço pra imaginar uma réstea de vontade popular, um sítio onde houvesse um parlamento, e os ministros ali tivessem de prestar contas pela sua incompetência. Mas logo percebi que os incompetentes se "marimbavam" para lá ir, por mais que fossem chamados à responsabilidade.
Suando pelo esforço imaginativo, tentei imaginar um nome, um adjectivo, fosse o que fosse pra dar às imagens que goravam a minha vontade. E apenas consegui uma interrogação: é possível que de há trinta anos para cá as pessoas tenham perdido a capacidade (ou coragem?) de tratar as coisas pelos nomes?
Quem é que tem medo de pronunciar a palavra fascismo?
Tentei imaginar um governante sério (e a sério) e vi um tipo fugir pra bem longe, tratando de salvar a sua imagem mais um pacote de notas de 500 €.
Tentei imaginar um sistema democrático e apenas vi que o rato que abandonou o barco quando este já ía bem cheio de água, lá pôs o afilhado, à revelia do que a população quisesse.
Começou a faltar-me a imaginação mas mesmo assim ainda deu para ver um indivíduo de cara descoberta, entrar pelas casas adentro e, com a desculpa de que os cofres do rei estavam rotos, começar a levar o que quem trabalha amealhara para a velhice.
Mesmo assim ainda fiz um esforço pra imaginar uma réstea de vontade popular, um sítio onde houvesse um parlamento, e os ministros ali tivessem de prestar contas pela sua incompetência. Mas logo percebi que os incompetentes se "marimbavam" para lá ir, por mais que fossem chamados à responsabilidade.
Suando pelo esforço imaginativo, tentei imaginar um nome, um adjectivo, fosse o que fosse pra dar às imagens que goravam a minha vontade. E apenas consegui uma interrogação: é possível que de há trinta anos para cá as pessoas tenham perdido a capacidade (ou coragem?) de tratar as coisas pelos nomes?
Quem é que tem medo de pronunciar a palavra fascismo?
quarta-feira, 8 de dezembro de 2004
Mais uma vez lá vão eles todos, em fila de pirilau, cantando e rindo pra abrir o caixão. É normal: não há ida às urnas (de voto) em que eles não abram novamente a urna (do morto). Desta vez foi o presidente da comissão de inquérito ao desastre de Camarate, cargo que acumula com a liderança do grupo parlamentar do PP-CDS, que invocou o fantasma para afirmar que o avião onde seguiam Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa foi sabotado por estar em jogo a venda de armamento (para países "democraticíssimos", pois claro - Argentina, Guatemala, Indonésia!!!); coisa sem novidade, pois já tinha vindo este motivo à baila por várias vezes.
Ficam-me mesmo assim umas dúvidas:
- Será que interessa à comissão de inquérito (presidida por quem se sabe) o apuramento definitivo da verdade, uma vez que a coligação vai de mal a pior?
- Como se poderá incriminar (como tem vindo a ser habitual) a esquerda? Será que o PCP detém acções na fabrica de Braço de Prata?
- Se o caso se resolver, que santo é que vão invocar em futuros actos eleitorais?
Ficam-me mesmo assim umas dúvidas:
- Será que interessa à comissão de inquérito (presidida por quem se sabe) o apuramento definitivo da verdade, uma vez que a coligação vai de mal a pior?
- Como se poderá incriminar (como tem vindo a ser habitual) a esquerda? Será que o PCP detém acções na fabrica de Braço de Prata?
- Se o caso se resolver, que santo é que vão invocar em futuros actos eleitorais?
domingo, 5 de dezembro de 2004
Intrusos
Caros amigos, sei que tenho andado um pouco arredado da "blogosfera", mas tal deve-se pura e simplesmente a falta de tempo. No entanto, de cada vez que deixo o computador ligado mais de cinco minutos para ler o correio, noto que há tentativas de intrusão. Uma vez que não sou "hacker" e muito menos pretendo sê-lo, não me interessam contramedidas activas contra as origens da tentativa de intrusão, sendo que muitas vezes o usuário do computador de origem nem sabe o que se passa.
Passo pois, a partir de agora, a publicar a lista de tentativas de intrusão no meu computador (penso que terá de ser actualizada diariamente).
(Para quem não sabe, os endereços começados por 217 são portugueses, sendo o seu provedor a Netvisão).
quinta-feira, 25 de novembro de 2004
Uma questão de prioridades...
Para quem ainda não se lembrou, e pelos blogs que tenho visitado parece-me que mesmo ninguém, hoje é 25 de Novembro.
http://www.25abril.org/index1.htm
http://www.uc.pt/cd25a/
Espero que alguém tenha a coragem de gritar comigo:
25 de Abril, sempre!
E vivó folclore!
Merda.
Merda é a palavra (dicionarizada) que tanta gente finge não conhecer e... "vade retro, satanás!" quando a ouve, mas que continua a ter comportamentos da mesma.
Vem isto a propósito do dia de hoje, 25 de Novembro, não sobre história pátria, mas sobre o novo capítulo da Casa Pia. E mais uma vez me apetece dizer e berrar a plenos pulmões "Merdaaaaa!!!!!"
Recomeçou a novela, as televisões continuam na sua épica saga de estupidez, perguntando ao advogado "por que é que se atrasou?, o trânsito em Lisboa é mau?". Cambada de alimárias, só porque um dos advogados de defesa (e que tem isso a ver pró caso?) é alentejano, vá de zurzir no gajo. A "tropa" lá estava toda, às sete da matina, quando o tribunal só abriria às nove e meia. Gentalha houve que alugou a varanda para que lá se postasse a malta da Sic, Tvi e quejandos (venham cá pró meu lado, venham...) e até a populaça, numa de eternizar o momento, lá estava caidinha a tirar fotografias a uma "ramona" que passou, sem que se conseguisse divisar algo lá dentro. Tá boa esta de "deixa lá tirar um retrato à carrinha que trás os tipos que é pra mostrar lá na terra ó meu compadre" . Juro por aquilo que quiserem que mudei de canal para canal de cada vez que começava a notícia do julgamento casa pia, o que escrevi acima foi apenas retirado do que ouvi pela manhã na rádio (excepto a parte do trânsito), mas que acredito piamente ser verdade, ou não fosse eu português. O que a populaça quer não é saber quem são os responsáveis; nem tampouco quantas casas-pia existem neste sítio a que alguns, mais sujeitos a questões de pudor, chamam país. O que a populaça quer é mais uma novela, um puxa-lágrima (já não há o Ponto de Encontro... nem o Perdoa-me...nem o Óleo Nidis Lave, era assim que a Lídia Franco pronunciava ).
Independentemente de saber o veredicto final, nem agora pretendo acusar ou ilibar alguém, gostava de saber se as acusações que se provar não serem verdadeiras (repare-se bem: digo "provar não serem verdadeiras" e não digo " não provar serem verdadeiras") vão ser sujeitas, por sua vez, a processo crime. Já estou a ver que aqueles que pretendem ver sicrano ou beltrano acusado estão a resmoer "estás a defendê-los"; não estou, estou pura e simplesmente a dizer que a acusação gratuíta, do "vai na onda" tem de acabar na porra deste rectângulo à beira-mar plantado. Ou então, merda!
Merda é a palavra (dicionarizada) que tanta gente finge não conhecer e... "vade retro, satanás!" quando a ouve, mas que continua a ter comportamentos da mesma.
Vem isto a propósito do dia de hoje, 25 de Novembro, não sobre história pátria, mas sobre o novo capítulo da Casa Pia. E mais uma vez me apetece dizer e berrar a plenos pulmões "Merdaaaaa!!!!!"
Recomeçou a novela, as televisões continuam na sua épica saga de estupidez, perguntando ao advogado "por que é que se atrasou?, o trânsito em Lisboa é mau?". Cambada de alimárias, só porque um dos advogados de defesa (e que tem isso a ver pró caso?) é alentejano, vá de zurzir no gajo. A "tropa" lá estava toda, às sete da matina, quando o tribunal só abriria às nove e meia. Gentalha houve que alugou a varanda para que lá se postasse a malta da Sic, Tvi e quejandos (venham cá pró meu lado, venham...) e até a populaça, numa de eternizar o momento, lá estava caidinha a tirar fotografias a uma "ramona" que passou, sem que se conseguisse divisar algo lá dentro. Tá boa esta de "deixa lá tirar um retrato à carrinha que trás os tipos que é pra mostrar lá na terra ó meu compadre" . Juro por aquilo que quiserem que mudei de canal para canal de cada vez que começava a notícia do julgamento casa pia, o que escrevi acima foi apenas retirado do que ouvi pela manhã na rádio (excepto a parte do trânsito), mas que acredito piamente ser verdade, ou não fosse eu português. O que a populaça quer não é saber quem são os responsáveis; nem tampouco quantas casas-pia existem neste sítio a que alguns, mais sujeitos a questões de pudor, chamam país. O que a populaça quer é mais uma novela, um puxa-lágrima (já não há o Ponto de Encontro... nem o Perdoa-me...nem o Óleo Nidis Lave, era assim que a Lídia Franco pronunciava ).
Independentemente de saber o veredicto final, nem agora pretendo acusar ou ilibar alguém, gostava de saber se as acusações que se provar não serem verdadeiras (repare-se bem: digo "provar não serem verdadeiras" e não digo " não provar serem verdadeiras") vão ser sujeitas, por sua vez, a processo crime. Já estou a ver que aqueles que pretendem ver sicrano ou beltrano acusado estão a resmoer "estás a defendê-los"; não estou, estou pura e simplesmente a dizer que a acusação gratuíta, do "vai na onda" tem de acabar na porra deste rectângulo à beira-mar plantado. Ou então, merda!
terça-feira, 23 de novembro de 2004
Luzinhas de Natal
Pronto, ´tou contente e feliz que nem um puto de dez anos. Mas é que estou mesmo. Acabo de vir do Praça da República (o "link" está ali no lado direito) e lá fiquei a saber que vamos ter este ano, tal como em (alguns dos) anos anteriores, iluminações de Natal. E músicas de Natal. E "prontos" (agora usa-se o "prontos"); prontos! Já sou cidadão de primeira. É que isto de ter luzinhas ornamentando as principais artérias (artérias são as nobres, as que levam sangue novo) da cidade, mesmo que ninguém ligue às outras (serão as veias, as do sangue venoso, impuro?) faz-me sentir, repetindo-me, cidadão de primeira, e "prontos". Lá vou poder passear calmamente de mão dada com a minha mulher, os dois de nariz no ar, "redescobrindo" (fica bonito, esta do redescobrindo) a minha cidade, num "aaaahhhh, que giiiirooo...." de basbaque. E se não acreditam que vou ficar embasbacado que nem um "montanhêro" juro já que pra ir ver as luzes calço as botas canelêras. E prontos (esta do "prontos" tá bem inventada, raio dos putos...). E até levo o bolinhas pra estacionar lá bem longe, que é pra ver as luzes duas vezes: saio do popó, e venho por aí olhando, depois vou buscar o popó e lá vou olhando de novo, ah ah! E o bom da coisa é que é à noite; como não tenho de pôr moeda depois das sete, não tá lá a concorrência a pedir moedinha... é que ter de meter uma moeda prá Câmara, e dar outra à concorrência... ainda por cima sabendo que vai prá pica...não sei no que fique. Mais a mais a malta da pica não passa recibo, poderei levantá-lo no C.A.T.?
Mas desta vez vou telefonar (em horário de expediente, em horário de expediente...) pró amigo pedra, a solicitar-lhe que renove a discografia. Tou farto de ouvir, em anos anteriores, o Sinatra pelo menos vinte vezes por dia cantando a mesma coisa, mais um coro de putos cantando numa lingua bárbara uma coisa que nem nos anúncios do modelo aparece. GAITA, virem lá a porra do disco! E prontos (ah ah, esta do "prontos" tá mesmo gira!).
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