segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Os cumpridores-a-qualquer-preço

Conta-se que um alentejano chegou a Lisboa e ficou muito admirado quando reparou em dois trabalhadores, munidos um de pá e outro de picareta, que se dedicavam à tarefa de abrir e tapar buracos. Um esperava enquanto o outro "picaretava" até abrir um buraco de uns setenta centímetros de profundidade, desviando-se a seguir para o da pá tapar o dito cujo, trabalho que acabava com duas palmadinhas da pá no montinho de terra que ficava testemunhando o local da obra. Lá acendiam uma cigarrada e abalavam para uns trinta metros de distância, repetindo-se o ritual.
O homem não se conteve perante tão bizarra tarefa, e lá teve de indagar o que se passava.
- Boas tardes.
- Boa tarde.
- Então os senhores estão trabalhando.
- Pois então, não se vê logo?
- E qual é o vosso trabalho?
- Você é alentejano, não é?
- Sou, e daí?
- É que se nota logo. Não me diga que não vê que andamos a trabalhar para a iluminação da rua.
O espanto do nosso compadre estava-lhe marcado no rosto.
- Pois... mas eu nunca vi abrir buracos para tapar logo de seguida.
A resposta foi clara:
- Oiça lá. O sr. engenheiro mandou-nos pôr os postes nesta rua, duma ponta à outra. O meu companheiro abre os buracos. A minha tarefa é tapá-los. Lá por ter faltado o colega que põe os postes a gente não deixa de fazer o nosso trabalho.
...
É claro que a história é anedota, mas não deixa de caricaturar a falta de espírito crítico que pode levar (acredito que por simples descuido facilmente solucionável) a situações semelhantes à que o nikonman aqui aponta. Ou até pode haver razões que a razão desconhece.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Vai um mergulhinho?

Vai para uns trinta anos que não passava pela água da piscina de Beja. Zanguei-me com ela num verão em que saí de lá com os olhos mais vermelhos que um pimentão, tal a quantidade de desinfectante que para ali era mandada "a balde". E foi ali que tive as minhas aulas de natação aos dez anos de idade, foi ali que fui (mau) nadador do Desportivo de Beja pelos meus catorze anos, era ali que passava as manhãs e as tardes de verão com o grupo de amigos adolescentes depois de fazer a digestão a jogar "ó mónópólio" no antigo Centro de Juventude (e o sr. António a mandar vir com a algazarra que a gente fazia quando um sortudo conseguia ficar com a Rua Augusta e o Rossio logo de seguida, era cada "arrochada" quando lá punha os hóteis...). Era também na piscina que púnhamos uma moeda de 10 tostões (meio cêntimo, pra os menos cotas) na jukebox do bar do Nolasco para ouvir o "je t'aime moi non plus" que era mais do que proibido na altura, princípio dos anos setenta (fica aqui o desafio a essa malta que se julga práfrentex: utilizem o kazaa, o e-mule ou o raio que parta quem quiserem mas experimentem ouvir o "je t'aime", independentemente de suspiros e sussurros e depois digam-me o que pensam sobre uma música bem feita do princípio ao fim, letra e voz aparte).
Pois como ía dizendo, fiquei surpreendido, e pela positiva: começando pela entrada, não paguei. Os dadores de Sangue (com letra grande, pois então) não pagam; e acho mais que justo. Não que mereçamos ou almejemos recompensa, mas pode ser visto como o reconhecimento pelo acto que todos deveriam assumir - boniiiito. Domingo de manhã... ahhhhhh. Domingo, só é pena que já amanhã seja segunda. Também é pena que tenham tirado a metade do banco dos balneários que fechava a porta do cubículo onde a gente muda de roupa. Plenamente de acordo que a porta fosse ao ar; acabaram-se as ganzas e tal e tal ali ao desbarato, mas sempre a gente se sentava pra vestir os calções, é que isto de ter trinta+iva ....
Ponham lá, por favor, o relógio da torrinha a funcionar de novo. Ou será preciso o puto de alguém de peso ir pra dentro de água pensando que já fez a digestão, com as fatais consequências, pra que "afinal quem é o responsável??!!"
Prontos (está na moda o prontuchhhh, que é feito do velhinho "pronto!"?), já viram que gostava e gosto da piscina de Beja. Tirando a vespa que pisei (gozem, gozem...), estou pronto (eh eh) a voltar lá.
Mas, por favor e a bem duma terra que tem a praia mais próxima a uns trinta quilómetros (Messejana...) acabem de vez com coisas como esta.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Subsídios para a história do surrealismo em Portugal

Domingo, 9 de Julho de 2006.
- Cabovisão, boa tarde, está a falar com Abel Abelardo (nome fictício) em que posso ser útil?
- Boa tarde. Sou vosso cliente e pode mesmo ser útil. Primeiro pode transmitir um recado a alguém seu superior com responsabilidades na empresa?
- Sim, pois claro. Queira fazer o favor de dizer.
- Diga a alguém seu superior com responsabilidades na empresa que o serviço que estão a prestar é uma porra. Pode dizer porra porque sou mesmo alentejano. O vosso serviço está uma poooorra.
- O senhor tem algum problema que possamos resolver? (bem treinado... voz monocórdica, não demonstrando a mínima emoção, fingindo não saber o significado de poooorra, não há dúvida que se estão a esmerar).
- Antes que me pergunte, o meu número de cliente é 123456789 (fictício também, pois claro, pensavam que eu ía dar aos amigos leitores o meu verdadeiro número?).
- E em que posso ser útil? (porra, já se esqueceu da primeira coisa em que poderia ser útil).
- Quero reportar que desde ontem à tarde não tenho qualquer ligação à net.
- Pois sim, sr. Fulano de Tal. Já experimentou afastar o modem do monitor e blá blá blá tudo aquilo que a gente sabe?
- Já fiz reset ao modem, já afastei o modem do monitor e blá blá blá tudo aquilo que a gente sabe.
- Pois estou aqui a ver que o senhor está sem ligação à net (PORRA! Então mas o que é que tenho estado a dizer a este treinadíssimo monocórdico?!?).
- Siiiimmmm...
- A que horas está disponível para uma visita do técnico?
- Só depois das dezassete e trinta.
- Só depois da dezassete e trinta (olha! aqui há eco!!!). Então o nosso técnico visitá-lo-á na quarta-feira a partir das dezassete e trinta. Informo o sr. Fulano de Tal que se a responsabilidade da interrupção de ligação à net não fôr nossa terá de pagar vinte e cinco euros da deslocação do técnico.
- Tudo bem. Eu contratei um serviço convosco que está subvertido unilateralmente: canais codificados que não o eram aquando da subscrição dos vossos serviços, pago uma ligação à net que não vou ter durante mais três dias, e vocês querem que eu pague 25€ pela deslocação do técnico. Eu pago com todo o gosto mas com o devido conhecimento ao Instituto de Defesa do Consumidor!
Silêncio de sete ou oito segundos do outro lado, porra que esta fez mossa.
- Canais codificados? Que canais? (ai agora sou eu que devo responder?)
- É só ouvir o vosso atendedor automático enquanto esperamos, mas posso desde já adiantar que nada tenho a ver com direitos de transmissão de jogos do Mundial. Pago um serviço e não me parece que esse pagamento dê à Cabovisão o direito de se eximir aos deveres contratados. O contrato é omisso quanto ao assunto.
Mais silêncio do outro lado, parece que estou mesmo a fazer mossa, e isso dá gozo, eh eh.
- Sr. Fulano de Tal, em que mais posso ser útil?
Ena, esta do "em que mais" quererá dizer dizer que vai mesmo ser?
- Diga-me se vou receber a revista da Cabovisão em tempo útil (útil, util, útil, é só utilidade), é que se continuar a ser como nos outros meses e como já estamos a nove do mês, se eu a comprar ainda me vai ser de alguma utilidade!
- Pois deve haver algum extravio na sua caixa de correio e terei todo o gosto em enviar-lhe uma segunda via da mesma.
Esta da "segunda via da mesma" é o máximo. E a minha caixa de correio deve ter trezentas e vinte e cinco assoalhadas fora as casas-de-banho e o sótão sem contar com a cave e garagem para se perder lá a revista...
- Sim, concerteza, mande mas não se esqueça de mandar também uma segunda via da mesma aos meus vizinhos, pois desde há uns meses a esta parte que se vêm extraviando as revistas da Cabovisão também dentro das caixas de correio deles.
- Sr. Fulano de Tal, em que mais podemos ser úteis? (Espectacular!! Fenomenal!! Passou da 1ª pessoa do singular para a 1ª do plural!!! do "posso" para o "podemos". Lá se está o treino a ir por água abaixo).
- Era só isto. E não se esqueça que a guerra não é consigo mas com a empresa. Faça o favor de dizer a alguém seu superior com responsabilidades na empresa que o vosso serviço está uma porra.

domingo, 25 de junho de 2006

Ideia deliciosa



Recebi reencaminhado pelo Zig uma apresentação em Power Point que tem uma ideia simplesmente fantástica. É extremamente simples de pôr em prática e um autêntico ovo de colombo; se nada resolver, pelo memos temos a consciência tranquila por ter tentado remar contra a maré. Pela minha parte já comecei.
Ora aí vai com algumas alterações que fiz, mas que em nada alteram a ideia original:


Com as facturas da electricidade, do telefone, recebes PUBLICIDADE! Não a deites fora!
Guarda-a, junta-a e envia-a aos respectivos serviços! Deixa que sejam eles a deitá-la ao lixo.
Recebes correio para empréstimos, cartões de crédito... ou «negócios», muitas das vezes acompanhados de ENVELOPES DE RESPOSTA PAGA. Em vez de deitares estes para o lixo, mete essas inutilidades nos envelopezinhos e põe-os no correio.
Envia:
- a publicidade do mecânico automóvel ao operador telefónico
- os cupões de descontos de pizzas ao teu banco
- as promoções do supermercado a ... quem tu quiseres.
Verifica sempre se algum dos teus dados pessoais não figura nalgum daqueles documentos devolvidos.
Em último caso podes também enviar o envelope de resposta paga VAZIO.
Que tal? Se todos fizermos isto os "chatinhos" que nos andam a azucrinar o juízo receberão de volta todas as porcarias que nos enviaram. Eles que as apreciem. Pagarão eles próprios as franquias e duas vezes: o envio e a devolução.
Reencaminha esta ideia a 1, 2, 3 ... 50 amigos e divirtam-se.
Uma maneira de ter menos resíduos e de ajudar a preservar as florestas.
Quem estiver de acordo ponha o braço no ar!

quarta-feira, 21 de junho de 2006

A coisa mais chata do mundo

A coisa mais chata do mundo é, sem sombra de dúvida, levar alguém bêbado a casa.
Se tiverem coragem experimentem...
Deixem em comentário a vossa "performance".

sábado, 27 de maio de 2006

A que horas é o próximo autocarro?




Penso que os partidos políticos, independentemente da cor ou do nome ou mesmo da sua colocação relativa esquerda/centro/direita não se conseguem livrar da fama (e proveito) de servir de trampolim aos "trepadores" que têm pululado na política nacional e municipal. E onde há fumo há fogo. Por mais que nos tentem convencer do contrário. E tanto maior é essa minha convicção quanto mais esses mesmos partidos (ou movimentos) se apregoam como tentando preencher lacunas a que nenhum dos outros deu importância; ou seja, verdadeiro poder de decisão por parte das pessoas enquanto isto mesmo e não pelo degrau da escada hierárquica para onde os pretendem remeter, reunião à volta de assuntos urgentes e discussão aberta em vez do célebre "braço no ar" porque é da minha cor ou porque o emblema da lapela é igual ao meu.
E porque já fui militante de partidos políticos (que à partida seriam impolutos em relação ao acima exposto mas que à chegada eram tudo menos isso mesmo), é que ainda acredito que as pessoas podem e têm obrigação de fazer aquilo para que Manuel Alegre alertou: mandar para as urtigas a hierarquia e a "disciplina" partidária, votar em consciência com a própria consciência, marimbar-se nos estatutos do partido e assumir as paixões, acreditar (enfim) na democracia. Em duas palavras: ser cidadãos.
E exactamente por assim pensar é que também acho que os tais "trepadores" começam (fatal como o destino) a lançar ganchos sobre os caminhos que a candidatura de Manuel Alegre abriu (ou melhor: poderia ter aberto) sobre a maneira de pensar os "corpos gerentes" aqui do rectângulo à beira-mar plantado. Não me tendo chegado às mãos os estatutos do Movimento de Intervenção Cívica, parece-me pelo que li nos jornais que vai haver desde generais a praças, passando por "imposição de medalhas" (é a minha maneira de apelidar os membros de honra). A posição alcançada nas presidenciais poderia ter servido para relançar a consciência cívica e o debate aberto e assumido sobre todo e qualquer ponto de interesse colectivo. Mas parece que não, a água já está inquinada. Assim, e porque só não muda quem nada aprende, Alegre deveria sair do autocarro enquanto é tempo e apanhar outra carreira; é que esta já tem muita malta tentando viajar à borla.
.
Talvez não devesse ter escrito este "post", mas a verdade é que já por mais de uma vez fui convidado para pertencer a listas autárquicas (de diversos quadrantes políticos), tendo de dizer que não em virtude de pensar exactamente pelas razões que me levaram a simpatizar com a atitude de Manuel Alegre. Será necessário dizer que os convites se reportavam aos degraus cá de baixo, que ajudam os "trepadores" a guindar-se ao pau da bandeira?

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Dejá-vu ?

O seguinte texto recebi-o por e-mail dum remetente desconhecido, tendo sido ao mesmo tempo enviado para mais de trinta receptores. Spam ou não, sei que o que ali está é verdade (eh eh), pelo que não resisto a partilhá-lho com todos vocês.
Todos os dias a formiga chegava cedinho à oficina e desatava a trabalhar. Produzia e era feliz.
O gerente, o leão, estranhou que a formiga trabalhasse sem supervisão. Se ela produzia tanto sem supervisão, melhor seria supervisionada. Contratou então uma barata que tinha muita experiência como supervisora e fazia belíssimos relatórios.
A primeira preocupação da barata foi estabelecer um horário para entrada e saída da formiga. De seguida, a barata precisou de uma secretária para a ajudar a elaborar os relatórios e contrarou uma aranha que, além do mais, organizava os arquivos e controlava as ligações telefónicas.
O leão ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com índices de produção e análises de tendências, que eram mostrados em reuniões específicas para o efeito. Foi então que a barata comprou um computador e uma impressora laser e admitiu a mosca para gerir o departamento de informática.
A formiga, de produtiva e feliz, passou a lamentar-se com todo aquele universo de papéis e reuniões que lhe consumiam o tempo.
O leão concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga operária trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, cuja primeira medida foi comprar uma carpete e uma cadeira ortopédica para o seu gabinete. A nova gestora, a cigarra, precisou ainda de computador e de uma assistente (que trouxe do seu anterior emprego) para ajudá-la na preparação de um plano estratégico de optimização do trabalhoe no controlo do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se mostrava mais enfadada.
Foi nessa altura que a cigarra convenceu o gerente, o leão, da necessidade de fazer um estudo climático do ambiente. Ao considerar as disponibilidades, o leão deu-se conta de que a Unidade onde a formiga trabalhava já não rendia como antes, e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico e sugerisse soluções.
A coruja permaneceu três meses nos escritórios e fez um extenso relatório, em vários volumes, que concluía: "Há muita gente nesta empresa".
Adivinhem quem o leão começou por despedir?
A formiga, claro, porque "andava muito desmotivada e aborrecida".
Tenho a certeza de que estás pensando como eu: "onde raio é que já vi este filme?"