segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Mundo de Aventuras

Será que alguém ainda se lembra do "Mundo de Aventuras"?
O "Mundo de Aventuras" saía à quarta-feira. Quarenta páginas de banda desenhada, formato A5, e custava 2$50, vinte e cinco tostões, dois escudos e cinquenta centavos, um cêntimo e meio para o pessoal que apenas conhece os euros. Se não foi pelo "Mundo de Aventuras" que aprendi as letras, foi aí que as comecei a juntar e a perceber como a leitura nos pode arrebatar durante horas e horas, sonhando que se é um caçador de vilões, lutando contra o Lex Lutor que tenta a todo o custo que o Super-Homem sofra os efeitos da kriptonite, ou ajudando o Garra de Aço (que se tornava temporàriamente invisível quando sujeito a uma descarga eléctrica) a desmantelar mais uma corja de mafiosos. Ou pilotando uma super-poderosa nave ao lado de Jet-Ace Logan que lutava a todo o custo contra a invasão do planeta por parte de uns extraterrestres transformistas capazes de enganar a própria mãe.
O primeiro "Mundo de Aventuras" que me chegou às mãos foi o nº 914, de título "Rory Macduff na selva do medo". Banda desenhada de boa qualidade, uma história com pés e cabeça, que nos envolvia e fazia perder umas cinco ou seis horas para "devorar" aquelas quarenta páginas (há que ver que tinha seis anos e tinha também de apreciar o desenho).
"Maxwell Hank e o Homem das Mil Caras", Cisco Kid, Matt Dillon, títulos e nomes que ficaram para sempre gravados; alguém disse que os livros são os nosso melhores amigos - acrescento que, por isso mesmo, quando os emprestamos sentem-se tão traídos que não mais querem voltar às nossas mãos, é o que acontece quando se tem as mãos pequeninas dos seis, sete, oito anos mas o coração do tamanho do mundo.
Aconteceu que o "Mundo de Aventuras" começou a perder qualidade, imaginem-se desenhos em que o indivíduo tem desenhada uma mão direita com uma pistola no final do braço esquerdo: dá para tirar o gozo a qualquer puto por mais desatento que seja. Depois começaram a aparecer umas histórias sem pés nem cabeça, estúpidas até dizer basta, linha seguida uns anos mais tarde pela "Vampirela", que além de trazer desenhos de "gajas boas como o milho, pá, já compraste a desta semana?" nunca passava da cepa-torta.
Imagino já os "conhecedores-da-BD-fazedores-de-eventos" da nossa terra a rosnar: olha-me pra este gajo, só porque leu uns mundo-de-quê?, como é que se chamava aquela porra?, já quer ser crítico de BD.
Não, nem por isso, e nem por mais nada. Apenas porque tenho saudades do Mundo de Aventuras.
(quando é que aparece para aí numa exposição de bd um exemplar do "Mundo de Aventuras"? Ou se calhar talvez seja careto de mais; digo eu, que sou cota!)

1 comentário:

Zig disse...

Também lia muita BD na minha juventude. "Roubava" sempre os livrinhos ao meu irmão, esse sim, era viciado nisto. Ainda hoje conserva grande parte deles, portanto, muitos já com 40 anos de idade....